água parada cria limo
cristalino quero ser
se já não sou
imagino
e corro no pensar
e no pesar
e o fixo pesa
pesa tanto que desprende
eu acho que ninguém entende
mas não posso deixar de falar
a mente vagueia no passado
quase dado
tropeçado
e no futuro
as vezes afundado
por vez brilhante
e o presente
estático
parado
que cria limo
mas brota vida
e na chuva transborda
e o tempo corre
o tempo é rio?
ta mais pra mar
que muda
que troca
inunda
e destrói
com beleza
corrói
até o mais forte dos metais
e pra onde vou tem cais?
tem cais pra quem cai
na ilusão do estável
pra onde eu vou
e pelo que sou
não tem cais
mas tem caos
milimetricamente ordenado
remendado
que machuca quando observado
mas transformador
que transforma minha dor
em novos passos
pra que em frente eu possa ir.
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