sábado, 12 de setembro de 2015

Navegar docemente nos meus oceanos tranquilos
tortuosos
impiedosos
límpidos

Raiz ancestral
orgulho natal
águas guardiãs
meu espírito a cada tarde 
se aproxima mais de ti

almejando se fundir
naquilo que nunca defini
que é solto

maresia
felicidade sentida
meio transbordante
que é pra lembrança fixar

mamãe sereia
papai baleia
vovó lua
vovô mar

família líquida
sagrada demais
em meu coração resite
todas as fontes divinais

que eu não esqueça do canto
que faz o encanto
da serenidade no cais


abandonar o controle
que um dia se pensou ter
antes de encontrar a consciência
que ensinou a discernir

abrir as asas
alçar voo ao abismo
que se revelou ilusório

redecorar os cenários
que são os mesmos
desde o princípio

Redescobrir a própria alma
escondida de si mesmo
antes mesmo de esquecer
que lembrar é necessário
para poder prosseguir

fluxo insone
se revela nos momentos
de silêncio 
que guardas pra ti

relembra que a noite é Mãe
doce e tranquila
que facilita 
nossa estadia aqui

o segredo é não cortar a corrente
que numa torrente
se esparrama por mim

aceita a transformação
que em forma de ação 
trouxe  pra si