sábado, 11 de agosto de 2018

visitas astrais
perturbações mentais
e um olhar profundo sobre o corte

estou em chamas logo abaixo do oceano
e toda a pressão reconfortante das profundezas
abraçaram minha causa 

um desejo ávido por esperança confunde meu campo intuitivo 
não sei se solto ou se me preparo 

sobre todas as coisas que acabaram mas parecem querer recomeçar...

segunda-feira, 2 de julho de 2018

a balança da minha vida ta parada no meio 
foi tudo tão alto
e as vezes la no baixo
que agora sorrio
porque a vida falou pre'u respirar

o amor é um palheiro 
e eu to querendo ser agulha que se perde lá no centro 
ou na borda 
e se não bastar
 eu quero ser esse palheiro
e que o amor me fume 
me trague 

tem esses dias meio blues 
e eu finjo que sou musica 
quero ser tocada 
e sentida 

Agora que não me nego nem renego 
digo pro mundo que to pronta 
quase grito 
porque já não me castigo com a castidade 
já não te  privo que o teu toque me toque 

esse é o curioso caso das coisas que inundam e queimam juntas 

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Aos poetas dou-lhes o dom do anonimato
à todos que jogam com a palavras 
vendo beleza em suas vidas miseráveis 
Aos poetas dou-lhes o descanso em vida
porque todas as suas obras são de um brilho póstumo 
e quando morrerdes, revirarás no caixão de tanto que os boêmios gritarão teus poemas noturnos
de tanto que os melancólicos se identificarão com teus versos
e de tanto sentido que tuas frases farão
mais pras futuras gerações do que pra ti mesmo.
todo poeta escreve pra morte
o poeta se finge de morto em vida pra viver na morte
a sutileza da lógica do poeta não cabe na grosseria do mundo.

água parada cria limo
cristalino quero ser
se já não sou 
imagino
e corro no pensar
e no pesar
e o fixo pesa
pesa tanto que desprende
eu acho que ninguém entende
mas não posso deixar de falar 

a mente vagueia no passado
quase dado
tropeçado
e no futuro
as vezes afundado
por vez brilhante
e o presente
estático
parado
que cria limo
mas brota vida
e na chuva transborda

e o tempo corre
o tempo é rio?
ta mais pra mar
que muda 
que troca
inunda 
e destrói
com beleza
corrói 
até o mais forte dos metais 

e pra onde vou tem cais? 
tem cais pra quem cai 
na ilusão do estável
pra onde eu vou
e pelo que sou
não tem cais 
mas tem caos 
milimetricamente ordenado
remendado
que machuca quando observado
mas transformador
que transforma minha dor
em novos passos 
pra que em frente eu possa  ir.



segunda-feira, 23 de abril de 2018

o ar parado que antecede mudanças

aquela velha ordem que se esconde por detrás do caos

quando o copo estiver cheio demais que transborda e faz sujeira

esvazie-o 

nunca daremos conta de saber de tudo

nem tampouco podemos nos manter na ignorância para não saber nada 

me desconheço sempre 

pra mergulhar de novo e conhecer 

muda-se o rio

quem mergulha 

e a paisagem ao retornar à superfície 

mesmo permanecendo oculto

tem algo familiar nessas névoas 

e a bruma de cada um

a cada um pertence

cada qual com seu caos 

com seu mistério 

e seus (des) entedimentos